26.9.11

Resenha: A Batalha do Apocalipse

Não há na literatura em língua portuguesa conhecida nada que se pareça com A Batalha do Apocalipse”. É com essa frase, do escritor e roteirista José Louzeiro, que poderíamos resumir a obra escrita por Eduardo Spohr. Se o review acabasse aqui, poderíamos nos dar por satisfeitos, pois creio que a frase consegue captar todo o significado da obra.

A Batalha do Apocalipse narra a famosa guerra dos anjos de um jeito novo e muito especial. Eduardo consegue, com bastante criatividade, imaginar uma dimensão tão ampla, como o mundo dos anjos, e nos passar as idéias e cenários com uma narrativa fantástica.

Já no começo do livro, somos apresentados a dois Arcanjos. Os Arcanjos assumem um papel primordial em toda a história do livro. Nele, Deus está descansando após seis longos dias de criação, porém Uziel está cansado de esperar pelo despertar do Criador e resolve afrontar seu irmão, o Arcanjo Miguel, em busca de respostas. Ocorre a primeira reviravolta, em minha opinião, quando Miguel elimina seu irmão. Sim, o Arcanjo Miguel, que biblicamente é conhecido como um herói, aqui é o vilão principal da história. Miguel está sedento pelo poder e ambiciona colocar um plano em prática com o fim do sétimo dia, quando finalmente o Apocalipse encerrar os dias da Terra.

A história apresenta alguns saltos no tempo, onde somos apresentados finalmente a Ablon, um anjo renegado que foi expulso do paraíso num passado distante, sendo condenado a vagar pela Terra em um corpo físico. Ablon vive no Rio de Janeiro, e logo percebemos que o Anjo Renegado possui muito mais importância do que parece. O autor inicia uma série de trechos, onde a história principal algumas vez dá lugar a flashes do passado de Ablon, onde conhecemos um pouco mais da vida do Querubim. É neste ponto que somos apresentados a um segundo personagem totalmente fora dos padrões normais, o que novamente, em minha opinião, é algo sensacional imaginado pelo autor.

Shamira é uma feiticeira necromante, conhecida como a feiticeira de En-Dor. Aos que conhecem um pouco mais da Bíblia, devem recordar-se que a feiticeira de En-Dor é tida como uma das vilãs na história de Saul, ao tentar um contato com o profeta Samuel em busca de um conselho, já que Saul estava cercado por inimigos. Porém Shamira é extremamente carismática, forte, audaciosa e corajosa, o que permite com que ela seja logo adorada pelo leitor.

O flashes são um pouco grandes e necessitam de certa paciência por parte do leitor, uma vez que a história principal fica em segundo plano nestes trechos - algumas vezes bem extensos - no meio do livro. Nada que atrapalhe a fluidez da narrativa, que é simples e muito bem executada. Eles são muito úteis, pois são à base da construção do caráter de Ablon. É nesses flashes que conseguimos enxergar à profundidade do protagonista, além de nos apresentar personagens fantásticos, como o bruxo Zamir, a rivalidade com Apollyon, e Lúcifer, o Arcanjo Sombrio. Mesmo diante de tantas revelações, acredito, porém, que o autor poderia ter sido mais sucinto nestes flashes, pois eles travam completamente a história principal. É como se houvesse um livro dentro de outro livro.

Vivenciamos as aventuras de Ablon e Shamira por diversos pontos da história humana, uma vez que o Anjo é imortal e a feiticeira possui habilidades para enganar a morte. Logo vemos fatos como a destruição de Sodoma e Gomorra, a Torre de Babel, o apogeu do Império Romano, entre outros. Enquanto isso, na história atual, as trombetas angélicas vão anunciando o inicio do Apocalipse, enquanto os humanos iniciam mais uma Guerra Mundial e os Anjos se preparam para a última batalha na dimensão celestial.

O trabalho de pesquisa do autor é surpreendente, mesclado com uma criatividade fantástica e uma narrativa que prende o leitor do inicio ao fim. Devo confessar que o final da história não foi, pelo menos para mim, tão bom quanto eu esperava, mas nada que diminua ou atrapalhe a avaliação positiva da obra como um todo.

Personagens cativantes em uma história conhecida, mas ao mesmo tempo com um toque de originalidade do autor, que faz com que A Batalha do Apocalipse seja realmente um dos melhores, se não o melhor, livro de fantasia da literatura brasileira. Uma leitura quase que obrigatória para todos os amantes de literatura fantástica.


Livro: A Batalha do Apocalipse
Autor: Eduardo Spohr
Gênero: Ficção
Páginas: 586

2 comentários:

  1. Parabéns pela resenha Natan! Já li A Batalha do Apocalipse e curti bastante. Abraços!

    http://newsnessa.blogspot.com/

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  2. Eu ainda não li o livro, mas tenho interesse. Gostei da resenha ;D

    Bjoos;*
    Naty - Just Books !

    Tem promoção rolando no meu blog do livro Pacto Secreto da autora Eliane Quintella, confere lá e participa:
    http://migre.me/5MzV5 ;D

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