23.11.11

Resenha: Drácula - O Vampiro da Noite

Achei interessante falar nessa semana de um livro mais clássico, ainda mais quando um certo ser brilhante anda em destaque por aí.  

Drácula foi lançado em 1897 pelo escritor irlandês Abraham “Bram” Stoker. Tornou-se um best seller de sua época, e até hoje é a principal fonte de inspiração para livros que envolvem o mito do Vampiro. Bem, quase todos, mas não vou falar sobre isso. Ainda...

Bram Stoker escreveu o romance epistolar - romance contado através de várias cartas, relatos e escritos de diários - muito provavelmente baseado na história do príncipe Vlad Tepes, de Erdély, ou Transilvânia para os Romenos. Conta o mito que por volta do ano de 1450, Vlad III governou os territórios da atual Romênia, que era divida, à época, em duas: Um lado Cristão e o ou outro, Muçulmano. Seu pai, Vlad II, era membro de uma ordem cristã chamada Ordem do Dragão. Por causa disso, os inimigos de Vlad III passariam a chamá-lo de Draculea, o filho do dragão. Dracul, entretanto, tinha também outro significado: Diabo. Este último foi adotado por seus inimigos e talvez pelos seus súditos.

Segundo o mito, Vlad III era extremamente cruel em suas ações. Conta-se que certa vez dois de seus súditos esqueceram-se de retirar o chapéu em sua presença. Vlad III mandou então pregar o chapéu em suas cabeças. Há ainda um relato de que numa batalha, Vlad III recebeu um grande golpe da cabeça e perdeu a consciência. Achando que seu líder estava morto, os soldados pegaram seu corpo e bateram em retirada. Antes de chegarem ao castelo, Vlad acordou como se nada tivesse acontecido, e retornou para a batalha, conduzindo o exército a uma grande vitória sobre seus inimigos. Depois disso, surgiu o mito de que ele havia morrido e retornado como um morto-vivo.

Vamos ao livro. Ele começa com os relatos do diário de Jonathan Harker, um advogado que representa uma imobiliária londrina. O Conde Drácula, que havia adquirido uma propriedade em Londres, recepciona o jovem Harker com seus hábitos corteses. Logo, Jonathan percebe a ausência de criados, as salas sempre trancadas, os ruídos estranhos que rondam o castelo; O advogado se vê numa prisão e descobre que ele mesmo é o prisioneiro, deixado pelo Conde sob os cuidados de três figuras femininas que possuem hábitos ainda mais estranhos do que os do Conde. Este, inicia seu plano de viajar para Londres, enquanto Jonathan luta para se libertar no castelo.

Mais para frente, Mina Murray, noiva de Jonathan, percebe alterações no humor e na saúde de sua amiga, Lucy Westenra. Porém Mina viaja para procurar seu noivo desaparecido, enquanto Lucy é cuidada por seus amigos, Artur Holmwood, o dr. Jack Seward e Quincey Morris. Os três se vêem incapazes de curar Lucy e são obrigados a recorrer aos métodos poucos ortodoxos do médico e cientista Abraham Van Helsing. Juntos eles tentam salvar a vida de Lucy, mas esta acaba por ser morta pelo Conde Drácula, já em Londres, em sua forma de morcego. Van Helsing então demonstra que Lucy, na realidade, havia se transformado em uma vampira e que eles deveriam destruir Drácula para impedir novos ataques em Londres. Enquanto isso, Jonathan foge do castelo e se encontra com Mina antes de retornar a Inglaterra.

Van Helsing, com uma genialidade sem igual, revela seus estudos e demonstra um vasto conhecimento sobre o vampiro. Ele conta que o objetivo do vampiro era permanecer em Londres, onde poderia atacar suas vítimas sem ser notado, uma vez que assassinatos numa cidade grande como Londres eram comuns. Van Helsing relata algumas fraquezas, como a impossibilidade se se expor ao sol; a fragilidade diante dos símbolos Cristãos, como um crucifixo; o detalhe de só poder entrar em uma casa se for permitido pelo dono; e afirma ser capaz de assassinar o Conde, demonstrando isso na própria Lucy, ao eliminar a vampira na frente de todos. Começa então uma caçada pela Londes do século 19 em busca do vampiro, que decide retornar para o seu castelo, mas antes compartilha seu sangue com Mina. Através desse fato, Van Helsing descobre que Mina passa a compartilhar da mente do vampiro, e decide tentar obter informações hipnotizando a jovem esposa de Jonathan. Juntos, eles caçam o vampiro enquanto este procura o refúgio de seu castelo na Transilvânia.

Se você nunca leu Drácula, recomendo que leia, pois se trata de uma obra prima do autor. O texto é de uma qualidade impressionante e hipnotizante.

Agora cabe uma crítica aos senhores endinheirados de Hollywood: Bram Stoker criou o personagem Drácula. Isso é um fato. Contudo, houve um problema com direitos autorais na época, e a família, segundo seu sobrinho-neto Dacre Stoker, jamais recebeu um tostão por direitos autorais, mesmo nas centenas de adaptações realizadas por Hollywood e companhia. Mesmo assim, é inevitável não se lembrar do velho autor ao ver qualquer filme, livro ou seriado que tenha vampiros. De fato, criar um vampiro que brilha à luz do sol, ou um Van Helsing que vira um lobisomem é, no mínimo, um insulto à memória do grande escritor. Nada contra estes livros ou filmes, mas não acho que as idéias do autor que criou o personagem tenham sido respeitadas. É a mesma coisa, por exemplo, que daqui a 50 anos, um autor crie um Harry Potter desdentado e com uma antena de rádio no lugar da varinha...

Como disse Sir Arthur Conan Doyle, criador de Sherlock Holmes, em uma carta para Stoker: “Eu escrevo para lhe dizer o quanto eu gostei de ler Drácula. Eu acho que é a melhor história de horror, que eu li em muitos anos”.

5 comentários:

  1. Parabéns pela resenha Natan! Já li Drácula e curti bastante. Abraços!

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  2. Ainda não li Drácula, mas com certeza é um livro que irei acrescentar em minahs futuras leituras, um livro clássico como esse nao poderei deixar de ler, sem contar que o tema (vampiros) muito me interessa. Adorei a resenha ;)

    Bj;*
    Naty.

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  3. Se eu fosse julgar pela capa não leria o livro rs + parece legal!
    Te convido para participar do sorteio do livro Ainda não te disse nada + 1 Ipad que está acontecendo no blog, conto com vc.

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  4. Beatriz, apenas pra constar: Esta capa é a capa da edição da Martins Claret.. existem outras edições, com outras capas, mas a história é surpreendente, independente da edição..

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  5. Olá.Essa é minha primeira visita ao blog.Vi seu link em outro blog e resolvi vir conhecê-lo.Adorei seu blog e já estou lhe seguindo.Seu blog é muito bem organizado e suas postagens muito bem elaboradas.Parabéns pela ótima resenha!
    Te convido a conhecer meu blog e segui-lo também.Aguardo sua visitinha!
    Bjs!
    Zilda Mara
    http://www.cacholaliteraria.blogspot.com

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