19.12.11

Resenha: Assassin's Creed - Renascença

Há alguns anos atrás eu tive o meu primeiro contato com o jogo Assassin’s Creed. Na época, jogando no PC, eu fiquei impressionado com a riqueza de detalhes, roteiro - criado por uma equipe diversificada, - gráficos e jogabilidade. O protagonista, Altair, era uma espécie de herói-vilão, capaz de assassinar friamente seus inimigos, mas também de salvar seus amigos, sendo leal aos seus ideais.

Tempos depois, vieram os demais jogos da série e o sucesso absurdo que conquistou fãs no mundo inteiro. E sendo um sucesso nos games, o clã de assassinos tenta deixar a sua marca no mundo da literatura.

Quem assina a obra é o senhor Oliver Bowden. De fato, não é bem por ele, já que se trata de um nome fictício, mas eu não consegui encontrar o nome real do autor, então vamos tratá-lo conforme está descrito.

O livro é ambientado em Florença, em 1476. Logo que começa, somos apresentados ao protagonista Ezio Auditore, filho de um respeitado banqueiro local. Ezio é um jovem que possui todas as características condizentes com a sua idade: É impulsivo, inconseqüente e extremamente habilidoso. Vemos isso muito claramente nas constantes brigas com Viere de’ Pazzi, outro garoto local, mas de uma família rival. Ezio passa boa parte de seus dias com seu irmão Federico, já que ambos possuem uma boa amizade e companheirismo.

Tudo muda drasticamente quando Ezio retorna para casa num belo dia e a encontra destruída. Seu pai e seus dois irmãos haviam sido levados, acusados de traição contra o governo, e sua irmã e sua mãe são deixadas para trás. O garoto consegue fugir com elas e, após deixá-las em um local seguro, volta para tentar resgatar seus familiares.

Mostrando uma habilidade imensa para escalar paredes e saltar de lugares altos e perigosos, Ezio consegue chegar ao local onde seu pai está preso. Giovanni Auditore revela a Ezio que existe um local secreto no seu Palazzo, onde alguns documentos importantes podem provar sua inocência. Ezio é instruído a levar estes documentos para Uberto Alberti, um amigo de seu pai, para que o julgamento pudesse ser favorável. Ezio assim o faz, encontrando na sala secreta, outros documentos estranhos e uma espécie de arma. Ezio entrega os documentos para Alberti e aguarda pelo julgamento.

Porém, no dia do julgamento, Alberti revela ser um traidor, e assim Giovanni, Federico e o jovem Petruccio são mortos. Ezio fica desnorteado e foge, pois ele era o último membro da família que também deveria ser morto. O garoto encontra refugio com seu tio Mario e aos poucos começa a descobrir uma conspiração muito maior, que de fato estava por trás das mortes deles.

Deste ponto em diante, Ezio trilha um caminho de vingança, em busca de matar os responsáveis pela morte de seus familiares. Com a ajuda de seu tio, Ezio inicia um treinamento para refinar suas habilidades, enquanto descobre, através das páginas de um codex estranho, os preceitos de uma ordem antiga de assassinos. Este codex é analisado por seu amigo de Florença, Leonardo da Vinci, um artista sem muito reconhecimento, mas repleto de idéias e dotado de uma capacidade intelectual invejável. É ele quem monta a primeira arma de Ezio, uma adaga retrátil que ficava escondida numa espécie de bracelete, perfeita para que o assassino executasse suas vítimas sem ser percebido.

Da Vinci não é o único personagem histórico a ser mesclado na fantástica história do livro, com base no jogo. Temos as aparições muito legais de Nicolau Maquiavel, do estadista Lorenzo de’ Medici, da impulsiva Caterina Sforza, Girolamo Savonarola, além de uma audaciosa, mas muito bem sucedida, aparição de ninguém mais ninguém menos do que o Papa Alexandre VI, nascido Rodrigo Bórgia, que é o vilão do livro e do jogo.

Só estes ingredientes já foram o bastante para me conquistar, assim como no jogo, já que eu sou muito fã de um bom romance histórico, onde personagens fictícios se entrelaçam com personagens históricos, fazendo o romance ficar quase que real. Além de tudo, o livro é muito bem escrito e bem produzido, com um catálogo de personagens no final, para que o leitor não se perca, uma vez que centenas de personagens são apresentados, nas viagens de Ezio por Florença e Veneza. Vemos a luta do protagonista pela vingança, mas também acompanhamos a descoberta de uma missão ainda maior, mais surpreendente e ainda mais profunda, capaz de prender o leitor do inicio até o fim, assim como o jogo te prende até você terminar.

Eu nunca joguei Assassin’s Creed II que, segundo me disseram, segue o mesmo roteiro do livro, mas estou jogando o Brotherhood, e nele também vemos Ezio e sua jornada épica. Mesmo com os roteiros praticamente idênticos, acredito que o livro possa ser lido somente pelo interesse literário, mas receio que, ao ler, você tenha um sério interesse pelo jogo. E se você já jogou algum jogo da série, acho que a leitura é mais do que recomendada.

Nenhum comentário:

Postar um comentário