10.12.11

Sobre costumes, cartões de felicitações e dores de pescoço

Em frangalhos depois de uma noite mal dormida.

Eu até poderia escrever sobre outras coisas, dada a época em que estamos, mas algo está me incomodando terrivelmente e eu preciso falar sobre isso, para não deixar esse meu incômodo mais maçante.

Sou do tipo que precisa se acostumar, infelizmente.

Há poucos anos, precisei ter conhecimento de que não era lei decretada por Deus, comer macarrão, frango assado e salada de maionese aos domingos. Mesmo assim, foi difícil me acostumar à ideia. Quando comi arroz e feijão, por exemplo, sei lá, não parecia domingo.

Também precisei me acostumar com a ideia de que aos 5 anos teria que ir na escola todos os dias e não ficar mais em casa ao lado da minha mãe e irmão.

Me acostumei com o fato de ser canhoto e que nunca poderia me sentar muito perto de um destro à mesa do refeitório da escola. Havia sempre a possibilidade de uma iminente colisão.

Me acostumei a ouvir: “ele chuta com a esquerda!”

Também tive que aceitar amigos conseguirem passar todas as fases do Super Mario World do SuperNintendo enquanto eu não passava do castelinho Nº 3.

Tive que me acostumar, aos nove anos, a sapatos 35 ficarem apertados e os 36 ficarem sobrando.

Me acostumei – ou aceitei –, a medida que fui crescendo, a acordar “quebrado” nos dias seguintes a noites em que eu resolvia assistir Programa do Jô e depois migrar para os seriados do SBT.

E, finalmente, me acostumei com aqueles travesseiros finos, baratos e levemente confortáveis.

(coisas simples que nos conquistam...)

Pena que eu não pude dormir com ele de ontem para hoje e o pior de tudo foi que eu não me acostumei. Não teve jeito. Sono picotado, dor no pescoço, manhã mal amanhecida.

O quanto damos valor ou prestamos atenção para coisas que vemos e sentimos todos os dias? A rotina nos cega, o costume também. Mas é de costume se acostumar e não há quem mude isso.

Eu ainda estou com o pescoço dolorido - taí a fonte do meu incômodo -, mas já é final de ano e meu espírito natalino está tinindo, junto com a esperança de um ano novo próspero e cheio de grandes realizações, e, ah, sem grandes dores de pescoço também, como dizem os cartões/e-mails de felicitações dos nossos amigos e conhecidos, portanto tudo fica menos sofrível nessa época. Você sabe que é verdade.

Abraços e até a próxima!

Um comentário:

  1. Me acostumei a ouvir: “ele chuta com a esquerda!”
    Foi boa.
    Mais é verdade.
    beijinhos,
    Blanc, espero sua visita.
    Modaeeu.

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