7.2.12

Resenha: Sangue Quente

Foi a mera curiosidade que me levou a ler Sangue Quente. Nunca tinha lido nenhuma resenha nem visto notícias sobre o livro, mas quando procurei, achei muito interessante e comprei um exemplar da editora Leya para conferir a obra de Isaac Marion. O autor era desconhecido para mim, mas comecei a ler em sites algumas coisas sobre o livro em questão e fiquei curioso, apenas para constatar se a idéia imaginada pelo autor tinha sido bem aproveitada.

Antes de mais nada, sei que muitos dos que passam aqui pelo Blog são fãs de Crespúsculo. Peço apenas que perdoem a minha crítica, mas quero deixar claro que não tenho nada contra quem gosta dos livros da saga Crepúsculo, nem contra quem gosta deste livro em questão. Esta resenha é apenas a MINHA opinião sobre o livro. Se você não quer ler uma crítica negativa sobre ele, então recomendo, com todo o respeito do mundo, que você pare de ler imediatamente.

Pois bem. O livro narra a história de R. Não sabemos o nome real do protagonista, uma vez que, logo nas primeiras linhas, ele relata estar morto e ser um zumbi. Sim, isso mesmo, você não leu errado. R é um zumbi. Ele não lembra seu nome e tem muita dificuldade para formar frases simples, porém seus pensamentos são semelhantes aos nossos e são eles que narram a história desde o início. E antes de baixar o sarrafo na história, quero deixar claro algumas qualidades do livro que merecem serem mencionadas, pois eu seria um cego se não visse estas qualidades.

A idéia de transformar o que geralmente é antagonista no protagonista não é uma idéia tão original, mas confesso não lembrar-me de uma história com zumbis sendo os personagens principais e Marion se esforça para fazer de R um zumbi legal e carismático. No livro, ao que parece, um colapso atingiu a Terra (embora não haja explicações detalhadas de como isso ocorreu) e a maior parte dos humanos se transformou em zumbis. Uma pequena parte ainda resiste a praga, morando em estádios ou grandes ginásios que foram adaptados para abrigar centenas de pessoas, enquanto os zumbis dominam todo resto. Marion consegue captar o estilo de vida (ou morte) dos zumbis, que se agruparam num aeroporto abandonado, e vivem perambulando e caçando humanos quando sentem fome. A narrativa é simples e eu achei a explicação sobre o gosto dos zumbis por cérebros, muito boa: No livro eles descobrem que, ao devorar um cérebro, é possível extrair as lembranças da pessoa por alguns segundos. E para uma mente sem lembranças, como a mente dos zumbis, isso é algo muito bom. E é exatamente neste ponto original e muito bom, que a história começa a desandar para um lado absurdo e sem sentido em minha opinião, uma vez que as expectativas criadas em cima desta premissa eram muito grandes, pelo menos para mim.

Parecia óbvio, e eu sabia disso, que com um zumbi no papel de personagem principal a história poderia ser desenvolvida na tentativa silenciosa deste zumbi se transformar em um humano normal. Pensei logo em “Eu sou a Lenda”, onde um personagem poderia tentar salvar este zumbi e desenvolver uma espécie de cura. E eu estava certo, pois em seus pensamentos, R começa a ter dúvidas se aquele destino era definitivo. Um zumbi pensar já é algo meio incoerente, mas dentro do campo imaginativo, praticamente qualquer coisa é possível, seguindo, é claro, uma coerência criada pela própria história. Contudo, adivinhem só o que o autor pensou em sua imaginação brilhante para resolver os problemas de R. Adivinharam? Pois é, ele pensou num romance.

Ora, por que eu não tinha pensado nisso? Um zumbi se apaixona por uma menina e é correspondido. Embora pareça hilário num primeiro momento, é exatamente isso que acontece. Numa das caçadas, R devora o cérebro de Perry, o namorado de Julie, que é a donzela da história, e acaba compartilhando suas memórias por alguns instantes. Nesse ponto ele decide salvar Julie dos demais companheiros zumbis e passa a tentar estabelecer uma comunicação com ela. Motivado pelo afeto que nasce naturalmente - e pela consciência de Perry, que curiosamente se instala na mente do zumbi e começa a lhe dar lições de moral, revelando novas memórias a cada dia - R começa a se esforçar para mudar sua natureza, e, pasme, Julie começa a criar um afeto pelo morto-vivo em decomposição, com cheiro de carne podre, que mal consegue formar uma frase.

Para mim o autor se perde no meio da história. Simplesmente isso. Por exemplo: Em um dado momento Julie simplesmente diz que não se importa muito com a morte de Perry, pois ele não queria mais viver mesmo. Ela diz que não sente raiva do zumbi que assassinou seu namorado. Simples assim. Sem contar as inúmeras situações as quais Julie se submete, contrariando qualquer senso de preservação de um humano com um mínimo de bom senso. Chega ao ponto em que R suja Julie de sangue, para “camuflar o cheiro de Viva que ela tinha”, e, juntos, eles caminham pelo aeroporto, com Julie encenando como se fosse um zumbi recém-criado.

R, por sua vez, revela um gosto por Frank Sinatra e Beatles, enquanto Julie é uma desbocada, porém delicada menina, filha de um general rigoroso. E quando digo desbocada, quero dizer isso mesmo. Marion não se preocupa em colocar os principais palavrões conhecidos claramente no livro, o que para mim já prejudica demais a narrativa, que até então estava boa. Num dado momento, R simplesmente decide não comer mais cérebros, quando começa a ter sonhos com a mente de Perry, e Julie decide voltar para o estádio, para talvez apresentar R ao seu pai (ok, não é bem assim, mas só faltava isso para completar). Para não mencionar a grotesca cena em que R vê dois zumbis fazendo sexo. Sim, você não leu errado de novo.

O livro se desenrola com alguma ação, porém a falta de coerência é grotesca em vários pontos do livro. No final de tudo, a solução encontrada pelo autor para resolver a história é a mais absurda possível. Absurda mesmo. Muito absurda. Tenho vontade até de contar para você não perder o seu tempo lendo.

Em resumo, Sangue Quente pode ser encarado como uma versão zumbi de Crepúsculo. Na minha humilde opinião, Isaac Marion tinha uma baita história original nas mãos e simplesmente vomitou em cima dela para enquadrar sua obra em alguma tendência atual que foge aos meus sentidos. Novamente, nada contra um bom romance, mas ele precisa ter coerência... mesmo num mundo fantástico e completamente imaginado.

Em resumo: Você pode criar a história de Orcs que são cor de rosa e carregam flores ao invés de machados, mas para isso precisa dar uma boa explicação e não dizer que as coisas são assim e acabou.

14 comentários:

  1. Eu estava para comprar o livro, mas agora fiquei meio inseguro...
    Não que eu seja hater, longe disso. Mas eu também não gostei muito de Crepúsculo (só não gostei, nada do tipo "odeio! Odeio!" rs), e quando disseram que Sangue Quente é uma versão zumbi da saga, fiquei com o pé atrás.
    Tenho uma queda pela temática "apocalipse zumbi" (aham, só eu, né? rs) e só por isso eu queria ler. Mas, depois da resenha, sei lá. Acho que vou comprar não ^^

    Valeu pela dica, e por salvar meu dinheiro ahahaha
    abração!

    Pedro Almada
    http://inspirados-oandarilhodotempo.blogspot.com/

    ResponderExcluir
  2. Eu sou fã da saga Crepúsculo, rs.
    Mas nunca pensei em comprar esse livro...

    Seu blog é bem fofo!
    :*
    Mi
    Inteiramente Diva

    ResponderExcluir
  3. O autor do livro soube inovar. O fato do narrador ser um zumbi e não um sobrevivente é de fato muito original. Alguns detalhes são absurdos, como a cena de sexo, assim como a desistência de R de comer cérebros. Acontece que algumas coisas simplesmente têm que ser como são, algumas coiss são imutáveis.
    Não há como zumbis apresentarem raciocínio, ou sentimentos. Mexer nisso é perigoso e parece, que pelo que você disse, Issac Marion não conseguiu alcançar as expectativas criadas sobre essa mudança.
    Mesmo assim, me parece um livro que merece uma chance. E sua resenha foi ótima. Parabéns.

    ResponderExcluir
  4. Ainda, pelo que eu me lembre não tinha visto alguma resenha deste livro, mais fiquei meio que insegura em relação ao livro.

    Ótima resenha
    Beijos :*
    Natalia; http://www.musicaselivros.blogspot.com/

    ResponderExcluir
  5. Acho uma idéia bem legal ter como narrador um zumbi, se me lembro bem nunca li nenhum livro sobre o tema, mas tenho interesse. Eu gosto de Crepúsculo, mas apesar disso não fiquei com vontade de ler esse livro. A maneira como você colocou os pontos negativos do livro me deixou indecisa quanto á ele. A resenha está ótima, parabéns. (:

    Bj;*
    Naty.

    ResponderExcluir
  6. Esse livro é meu queridinho na estante.
    Pena que você não curtiu, eu tmb senti falta de algumas explicações, especialmente para a "cura" de R. Mas como um todo o livro me agradou, deve ser porque eu amo zumbi...kkkkkkkkkkk
    Eu não achei nada parecido com crepúsculo, embora todo filme agora de romance que for lançado seja comparado a saga, enfim, o R me cativou desde o início.
    Bjos e parabéns pelos argumentos da resenha.

    Jack

    ResponderExcluir
  7. Bom, eu achei essa resenha ridícula, pois NADA acontece dessa forma, do jeito que você fala parece que a cena de sexo realmente é sexo, mas NÃO É, ela está exatamente para tirar essa ideia de versão zumbi de Crepúsculo. E a história inteira é extremamente reflexiva, é lotada de pensamentos que te fazem pensar, então eu só posso crer que você não entendeu direito o livro. O final poderia realmente ter sido um pouco melhor explicado, mas ele não é nada perto da grandiosidade e de toda a reflexão maravilhosa que o livro trás.

    Sangue Quente é um dos melhores livros que já li na minha vida, e com certeza deveria ter milhões de continuações, pois ele tem uma originalidade e uma história surpreendente.

    E o "amor" entre os dois também não acontece dessa forma que você descreve, muito pelo contrário, ela só vai se desenrolar bem no final do livro, pois durante o tempo todo ele só protege ela, passa restos de zumbi nela porque se sentia culpado por ter matado o namorado dela.

    Ou seja, comprem esse livro SIM porque ele é MARAVILHOSO, só o final mesmo que foi sim legal, porém bem irreal.

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Respeito a sua opinião, mas acho que justamente essa falta de explicação é o problema. Só porque a história é uma fantasia ela não pode ser escrita de qualquer forma. Por exemplo: Zumbis não pensam. Para você dizer que um zumbi pensa é necessário criar uma história explicando isso, e não simplesmente dizer que eles pensam! A premissa já está errada neste ponto. Mas isso não quer dizer nada, uma vez que a história poderia ter se explicado, coisa que não aconteceu.

      Na minha humilde opinião de #&$%@, nós, leitores, precisamos ser mais exigentes com o que lemos. Um autor não pode simplesmente dizer que algo é assim e pronto acabou. Até a Bruxa Má do Oeste tem uma razão para ser assim...

      Excluir
    2. Cara, na boa... zumbis não existem, eles são criaturas fictícias e, como tais, cabe a cada autor dar a eles as características que bem lhe aprouver. E se até George Romero agora tá dizendo que os zumbis pensam quem é você pra dizer o contrário?

      Excluir
  8. Tenho muita curiosidade de ler esse livro por causa do tema de zumbis! Eu li só 'Strange Angels' com esse assunto! Mas se for uma versão zumbie de Crepúsculo, acho que não vou curtir :(

    Beijinhos,
    @CamilaCandomil
    | Seleção Literária | http://selecaoliteraria.blogspot.com |

    ResponderExcluir
  9. Eu preciso ler este livro.
    Já pude ler várias resenhas negativas e positivas. Então, quero ter minha opinião sobre ele.
    Parabéns pela resenha.
    Bjo =*

    "Palavras ao Vento..."
    www.leandro-de-lira.blogspot.com

    ResponderExcluir
  10. olá, eu já li a saga de Crepúsculo, mas passou longe de ser minha preferida, e se essa é uma versão zumbi de crepúsculo, hehehe, vai ser dificil eu comprar, é uma pena, pois até achei interessante um zumbi narrando um livro, talvez um dia, se chagar em minhas mãos eu leia.

    beijão
    Magia Literária

    ResponderExcluir
  11. Ah, confesso que tenho uma certa curiosidade em ler esse livro. Porém achei bem estranho um zumbi se apaixonar por uma humana e ser correspondido. Enfim, adorei sua resenha, é sempre importante ser sincero, parabéns.

    Beijos&beijos
    Book is life

    ResponderExcluir
  12. Obrigado pelos comentários galera.. Só quero deixar claro que respeito muito a opinião de vocês, que visitam o blog. Acho muito importante essa troca de opiniões, mesmo se essas opiniões forem divergentes.

    Abraços a todos..

    ResponderExcluir