20.3.12

Resenha: O Temor do Sábio

Para começo de conversa, acredito que qualquer palavra que eu colocar neste review será falha em demonstrar com exatidão tudo o que representa a mitologia criada pelo escritor Patrick Rothfuss.

O livro em questão é O Temor do Sábio. Trata-se do segundo livro da trilogia A Crônica do Matador do Rei, que começou com o livro O Nome do Vento. Neste “segundo dia” de narração, Kvothe relata ao Cronista mais detalhes de suas aventuras e traz novas revelações sobre as lendas que envolvem o seu nome.

Mas que histórias são essas? Como assim “uma lenda” envolvendo um nome? Na realidade, a profundidade da trama só pode ser entendia por aqueles que leram os livros. O que eu vou tentar aqui é resumir as quase mil páginas que este segundo livro contém. E antes que você possa dizer “nossa, como este livro é grande!”, posso te assegurar que ele poderia ter mais mil páginas sem ser exagerado.

Partindo deste ponto, quero deixar algo claro: Apesar de ter mil páginas, o livro não é um daqueles livros cansativos e chatos. Na verdade, Patrick Rothfuss tem o dom de escrever MUITO, mas possui também o dom maior de conseguir tornar TUDO importante. Não há no livro um único ponto que possa ser deixado de lado. Nada é desnecessário e tudo acaba se envolvendo com a trama, uma hora ou outra. Até coisas que vimos no primeiro livro, como a infância dura de Kvothe nas ruas de Tarbean mostrou-se importante e se entrelaçou com fatos novos neste livro.

Não quero revelar muitos detalhes, mas os fatos são simplesmente surpreendentes. Kvothe aprende mais coisas na famosa Universidade, onde cresce em seu desenvolvimento como Arcanista. Os estudos são interrompidos, quando seu maior rival, Ambrose, consegue organizar um julgamento contra Kvothe. O protagonista se livra das acusações, mas é aconselhado a deixar a Universidade por uns tempos.

Começa então uma serie de aventuras ainda mais impressionantes e complexas, quando Kvothe é enviado a corte de um nobre e salva a sua vida. Há uma luta contra um Arcanista mais experiente e uma missão para acabar com uma horda de salteadores de estradas. Há mais revelações sobre o misterioso grupo do Chandriano e há o encontro fantástico com Feluriana, uma mulher misteriosa que seduz os homens e os mata. Na verdade, uma das melhores partes do livro.

Kvothe aprende as noções do Ademre, um povo recluso, porém letal, quando faz amizade com um mercenário Ademriano. Uma nova linguagem, criada pelo fantástico escritor, é mostrada, assim como todo um meio de vida próprio. E há também o romance com Denna. Ah! O romance com a jovem Denna é incrível, até para mim que não gosto muito do tema. Ele não tem aquele apelo próprio das modinhas, mas é algo mais maduro e melhor desenvolvido. Salta aos olhos o tempo perdido pelo autor para criar todas essas coisas e mais, já que eu não posso descrever aqui tudo, pois acabaria com a experiência da leitura.

Patrick Rothfuss é um daqueles escritores fantásticos que infelizmente não tem muito apoio da mídia imediatista e comprometida. Na verdade, o nível dele é absurdo, já que ele escreve majestosamente bem tanto uma luta, como um relato sobre um povo e até mesmo um romance. Tudo isso sem ser chato, sem ser meloso, sem ser cansativo. O escritor terá que se esforçar muito para fazer um terceiro livro mais surpreendente, já que certamente seus fãs esperarão algo tão sublime como foi este último.

De fato, coloco Patrick Rothfuss num nível ainda maior do que você possa imaginar. É claro que a minha opinião não serve de absolutamente nada, mas eu já li muitos livros de muitos autores. Já li romances, poesias, mitologias, autoajuda, fantasias, histórias, biografias, ensaios... enfim, uma série de livros. Considero Tolkien inigualável, pelo tamanho da obra criada, e considero C.S. Lewis como um mestre, pelos ensinamentos além das obras de fantasia. Tenho um profundo respeito pelos escritores antigos, como Homero, Virgílio, Dante, e pelos clássicos, como Mark Twain, Julio Verne, Sir Arthur Conan Doyle, Bram Stoker e tantos outros. Aprecio também os nomes recentes, como J.K.Rowling, Bernard Cornwell, George R.R.Martin, Dan Brown,  James Patterson, Stephen King…

Contudo, Patrick Rothfuss parece ter alcançado um lugar de mais destaques do que estes, pelo menos na minha humilde opinião. É claro que eu ainda considero Tolkien o maior de todos, mas ler Patrick Rothfuss não é dizer: “Vejam, parece Tolkien”. Não! Ao ler a mitologia criada, o que vem a mente é: “Vejam, é Patrick Rothfuss!”. O autor tem um estilo próprio, que, é claro, faz lembrar autores consagrados, mas é bem óbvio que o mesmo possui uma luz distinta dos demais.

E, obviamente, não fui contemporâneo de Tolkien. Não vi o desenvolvimento da obra nem os comentários locais conforme os livros eram lançados. Porém, acredito plenamente que os sentimentos eram parecidos com os meus agora. É muito legal ter o privilégio de ser contemporâneo de um escritor tão fantástico como Patrick Rothfuss. É legal ler seus livros e ver que eles são ainda mais impressionantes do que a expectativa gerada em torno deles. É incrível ler as linhas, crescer junto com Kvothe e ver o surgimento de uma fantasia tão bem escrita, que coloca o escritor ao lado dos grandes nomes da literatura mundial de todos os tempos - ou talvez um pouquinho mais acima.

Uma coisa é certa: Daqui a duzentos anos certamente estarão falando de Patrick Rothfuss. Estarão falando de Kvothe. Estarão falando da Crônica do Matador do Rei.

2 comentários:

  1. Oi, tudo bom?
    Gosto muito de ler resenhas, mesmo não tendo o livro, tento observar, aprender e vê se gostarei do livro.
    E esse é um livro que quero muito ler, a capa é linda, mas ainda não tenho nem o primeiro :(
    Otima resenha.
    Território das garotas
    @territoriodg
    Bjss *-*
    Passa lá no blog? http://tinyurl.com/6omp9rp
    http://territoriodascompradorasdelivro.blogspot.com/

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  2. Cara, você só me deu mais vontade de ler o livro T.T
    É horrível ser universitária é não ter dinheiro. T.T

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